Mulheres



No universo mágico da noite encontramos diversos tipos femininos. Circulam pelos bares, cheias de charme e encanto. Podem ser classificadas, de acordo com as suas características.

O PPP listou 10 tipos encontrados com abundância no vasto território dos botequins:

Alencarianas: no lirismo da noite saem à procura de um príncipe perfeito. Românticas ortodoxas anseiam obstinadamente um matrimônio. Resignação é o seu mote. Sua trilha sonora é embalada por melodias românticas do Rei Roberto Carlos. 

Amadianas: apresentam traços das personagens femininas, retratadas na obra de Jorge Amado. Não confundir com o universo feminino do outro Amado, o Batista. Concentram-se essencialmente na região Nordeste do país. São estonteantes, lascívias. Gozam de uma insustentável leveza de ser. Guerreiras incansáveis. Não são comedidas na busca dos prazeres carnais. Para atraí-las basta uma pitada de cravo e canela. 

Balzaquianas: recém-separadas, buscam depois dos 30 anos, um relacionamento mais saudável e flexível. Transpuseram a fase de utopia romântica piegas. São maduras e não suscetíveis a gracejos juvenis. 

Beauvoirianas: são fortemente inspiradas em Simone de Beauvoir. Preferem um relacionamento à distância, tipo Sartre-Beauvoir. São existencialistas e abominam bares que transmitem jogos de futebol. Seu livro de cabeceira é “O segundo sexo”. 

Bibliotecárias: adoram classificar minuciosamente as suas presas, antes de laçá-las. Depois de conquistadas são catalogadas e indexadas. As mais conservadoras preferem os homens-enciclopédia; as mais modernas optam pelos homens-digitais. 

Buarquianas: para elas é Deus no céu e Chico Buarque na terra. Espalham-se do Oiapoque ao Chuí, clamando incessantemente pelo ídolo. Bradam histericamente nos videokês: “toca uma do Chico”. Público heterogêneo tem composição variada, como Carolina, Rita, Ligia e até a maldita Geni. Tem estrangeiras também no elenco; Joana Francesa, Ana de Amsterdam e as mulheres de Atenas. Com açúcar, com afeto almejam no frescor noturno um samba do grande amor. 

Capitus: lembram a célebre personagem do clássico de Machado de Assis, “Dom Casmurro”. São encantadoras, com os  seus "olhos de cigana oblíqua e dissimulada". Irresistíveis. Caso se apaixone por uma delas, cairá eternamente num teorema enigmático sobre a gazela, “se ela é inocente ou adúltera”. Ainda mais se você amanhecer ao lado dela com "olhos de ressaca". 

Diadorins: nascidas à imagem e semelhança de Diadorim, do romance “Grande sertão: veredas”.  Não dão mole para ninguém. Um inocente galanteio é motivo para briga. São intrépidas. Apreciam bebidas fortes, cerveja para elas não passa de um isotônico. Transcendem relações de gênero. 

Iteanas: esse tipo de mulher é encontrada com mais frequência no Vale do Paraíba. Amam de paixão estudantes ou formados no ITA. Apesar do mantra iteano, “mulher que nada, queremos derivada”; nada é capaz de dissuadi-las do intento. Desejam homens com projetos, sobretudo com dielétricos, de cálculo diferencial e integral. Na eletrodinâmica da vida não veem a hora de conhecer os condutores e o potencial eletrostático dos mancebos. 

Nietzscheanas: estão além do bem e do mal. Possuem uma ascendência humana, demasiada humana. Têm uma forte queda pelos homens-aforismo. Mulheres com uma genealogia da moral bem peculiar. Os homens com bigodes são os mais cobiçados; estes estão numa elevação sublime, inclusive, sobre a verdade e a mentira. Só acreditam num homem que saiba dançar. 

Mulheres,
mulheres mil,
cada uma com o seu canto,
seu pranto,
seu manto,
seu encanto.

Comentários

  1. Gustavo,gostei muito do post dos tipos de moças. nunca achei uma iteana por ai… abs

    Xico Sá

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  2. Tem outro tipo interessante, que a gente encontrava muito em nossa época de Unesp: as cartesianas. Objetivas, sempre classificando categorias, elas agem com clareza e simplicidade na resolução de seus problemas e impasses. Mas são perigosas: embora preguem a todo momento a divisão corpo e mente, com frequência sucumbem às paixões da alma. E aí, nem o Anjo Maléfico nos livra de suas perseguições...
    Abraço,
    Felipe

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    Respostas
    1. Genial Felipe! Se soubesse das cartesianas incluiria nos tipos classificados. Seriam 11 e daria para montar um time.

      Abraço

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