Do Sertão


O "Do Sertão" é um misto de bar com restaurante. Culinária tipicamente nordestina. Está localizado na Rua Santo Antonio, no coração do Bixiga, bairro de São Paulo.

Bixiga, para quem não é de São Paulo, é um bairro fortemente influenciado pela cultura italiana. O local foi povoado por imigrantes italianos em meados do século XIX e absorveu características importantes dos seus moradores.

As transformações ocorridas na cidade não foram suficientes para alterar a atmosfera do bairro, que preservou o legado, a tradição, a culinária e a religiosidade dos italianos.

Prevalece no Bixiga, restaurantes com a culinária italiana. Paradoxalmente, o "Do Sertão" instalou-se no bairro e conquistou a simpatia dos moradores e visitantes.

Não há, ó gente, ó não, um bar como esse "do sertão", não há, ó gente, ó não, um bar como esse "do sertão".

"Prepare o seu coração, pras coisas que eu vou contar, eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão".

Fui no contrafluxo da "Disparada". Eu fui lá pro "Do Sertão" saborear as maravilhas gastronômicas nordestinas. 

Pois bem, cheguei. Descobridor dos sete bares. Alvíssaras!

- Desce logo uma pitu para abrir o apetite!


Depois da pitu com sarapatel, fiquei levemente pinel e compus um fajuto cordel.

Na entrada, peça já uma buchada
Se o cabra for valentão, manda de imediato um baião
Tem até jabá com macaxeira, que desce bem com uma bagaceira
"Do Sertão" não é "Dalva e Dito", se avexe, deguste logo um cabrito
Caso não veja graça, turbine com uma boa cachaça.

Nesse dia travei uma peleja com um baião de dois e uma carne seca. Batalha épica, cuja munição saía do cano fumegante em forma de cachaça. Guerra da Balaiada etílico-gastronômica.

A bulha estava acirrada e tinha até fundo musical. Lembro-me até do nome do grupo, chamado "Aviões do forró".

A música tinha tudo a ver com o ambiente. O refrão, por ironia do destino, era mais ou menos assim: "olha a barriguinha, olha a barriguinha, vamos malhar para não ficar barrigudinha".

Como diria o jogador de futebol, "haja o que hajar", depois de toda aquela sustança tem que malhar e muito.

Do Sertão é sem fim; Do Sertão está em toda parte; Do Sertão tá dentro da gente(...)

E olha que o Guimarães Rosa nem conheceu o espaço!



Curtam no facebook a nossa Fan Page:
https://www.facebook.com/papopetiscoepinga


Comentários

  1. Gustavo, que maldade, bem na hora do almoço!

    ResponderExcluir
  2. Ah, Gustavo, que delícia de texto. Aposto que até o Guimarães ficaria com vontade de travar uma peleja com esse baião de dois aí.
    Beijo e inté a próxima

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Fa! Lisonjeado com a sua ilustre presenca por aqui. Ate a proxima!

      Beijo

      Excluir
  3. " Nesse dia travei uma peleja com um baião de dois e uma carne seca. Batalha épica, cuja munição saía do cano fumegante em forma de cachaça. Guerra da Balaiada etílico-gastronômica".

    Boa Gustavocrata!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tu só cometeu uma injustiça histórica com os negros ,ao comentar a origem do bairro ,mas tudo bem ''os negros vinham de Santos e portavam no bixiga ,lavavam os pés'' e junto com os carcamanos faziam a barrigada ,com as sobras ,e os maledetos bricavam com a bexigada..''e por isso que pouca gente sabe, mas no bixiga tem o melhor samba ,na melhor feijoada, mas a pedido da nona serve também a melhor macarronada..

      Excluir
    2. Pois é... "quem nunca viu o samba nascer, vai no Bixiga pra ver, vai no Bixiga pra ver", já diriam os versos de uma canção da Vai-Vai.
      Abraço, Barretão!

      Excluir
    3. Olá! Não sabia disso. Pesquisei, mas não vi nenhuma menção. Muito obrigado pela correção!

      Qual o seu nome?

      Obrigado!

      Excluir
    4. Barbosa beleza meu caro?

      No ano passado passei uma tarde bem agradável na Vai-Vai. Samba de primeira!

      Preciso voltar lá! Abraço irmão!

      Excluir
  4. Gustavão, muito legal o texto!!!
    Curto muito a culinária nordestina apesar de instalado em São Paulo a muito tempo. Minha mãe que é de Pernambuco me faz lembrar do bom tempero quando vou à Ribeirão... parece meio incoerente né...
    Abraço, Wander Pereira

    ResponderExcluir

Postar um comentário